Cinco
Ouvi falar, não sei quando e nem onde, que o cinco é o único número que, na língua portuguesa, é escrito com o mesmo número de letras que o seu valor representa.
Cinco. O que segue o quatro e o que precede o seis. Terceiro número primo. Natural, positivo e inteiro.
Poderia estar falando do cinco porque, afinal, ele é um número muito importante. Sem ele, não teríamos o quinto dia do mês, no qual muitos trabalhadores recebem seus salários, por exemplo. Ou a quinta-feira, ou o pentacampeonato da seleção. Sem ele, não teríamos as vogais, que são cinco. Nem os Power Rangers, que são cinco. Bom, restariam os Tartarugas-Ninja e os Beatles, que são apenas quatro, mas perderíamos as Spice Girls.
Imagine-se, leitor. Vivendo num mundo sem o cinco. Olhando para a sua mão e vendo outra coisa que não os cinco dedos. Nunca podendo se hospedar em um hotel cinco estrelas. Ou olhando para o mapa e não ver, no meio da imensidão azul, os cinco continentes.
Porém, existe sempre o copo meio cheio. Teríamos que enxergar o lado positivo de viver num mundo sem o cinco. Teríamos, por exemplo, uma colonização diferente, sem o quinto. Quinto, leitor, é o nome do imposto que a Coroa Portuguesa cobrava pela extração de ouro e diamantes de suas colônias. No caso, o Brasil. Este, por sinal, o quinto maior país do mundo, em extensão. Talvez nem existíssemos, já que fomos “descobertos” em 1500, múltiplo de cinco.
O cinco, então, leitor, está profundamente presente em nossas vidas. Ele aparece principalmente nas estatísticas. Como nesta semana, em que cinco mortes foram registradas na RS 324, entre Vila Maria e Passo Fundo. No meio disso tudo, literalmente, estamos nós. Pouco se pode fazer além de pressionar, como as prefeituras destas cidades já estão fazendo, por melhorias neste trecho.
Não falamos de cinco frutas, cinco bombons ou cinco bolitas. São cinco vidas perdidas. Cinco pessoas que tinham pai, mãe, filhos, amigos. Jovens e velhos, homens e mulheres, esta estrada não poupa ninguém. Em um espaço de cinco dias, já que não conto o final de semana, que ainda não havia começado quando escrevi este texto, são cinco mortes. Triste destino para o número cinco, que se vê associado a este tipo de estatística. Triste notícia para nós, que usamos esta estrada todos os dias e que, bate na madeira, podemos em breve aumentar estas mesmas estatísticas.
Detestaria ter que escrever sobre o número seis. Ou sete, ou oito.
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