sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tomates ou cebolas?




Nunca vi na vida tanta gente falando de tomate. Até eu embarquei na onda e arrisquei algumas piadinhas nas redes sociais. Nenhuma com grande êxito, diga-se de passagem. É que todas as boas sacadas já haviam sido publicadas e estavam sendo compartilhadas a granel. A alta do preço do tomate inflacionou até as boas piadas, veja você.

Mas ia dizendo que era tomate pra todo lado. Abria o facebook, lá estavam eles. Nas primeiras páginas da ZH, só dava o vermelhinho (que, a propósito, é um fruto, apesar de sua fama de leguminosa). Noticiário de televisão, então, nem se fala. Era tomate e mais tomate. E aquilo foi me deixando intrigado. Até a Ana Maria Braga fez piada com tomate. Piores do que as minhas.

O que mais me intriga é que o tomate não é, assim, gênero de primeiríssima necessidade. Não é como feijão, arroz, farinha. Na falta de tomates, tempera-se outra coisa. Ponha-se menos katchup no xis, menos molho na macarronada. Dê-se um jeito. A humanidade viveu centenas de milhares de anos sem tomate. Mesmo os italianos viveram sem tomate por muito tempo, até descobri-lo. Por isso já estava achando esta gritaria muito exagerada. A própria Maria Antonieta nos ensinou, às épocas da Revolução Francesa: se não tem pão, que comam brioches! Grande paráfrase: na falta de tomates, coma-se rúcula. Então qual seria a grande dificuldade em simplesmente aguardar o preço do tomate normalizar?

Foi então que descobri que a reunião do COPOM – que vem a ser o Conselho de Política Monetária – está marcada para o próximo dia 16.  Então é preciso que se ressuscite o fantasma da inflação desenfreada, do overnight, da retabulação, para que não aconteça mais uma reunião do COPOM sem o reajuste da taxa de juros. À superior, é claro. Nem que para isso seja preciso colocar a culpa em algo tão inocente, tão puro e, francamente, tão sem graça quanto o tomate.

Não deu certo, felizmente. O preço do tomate já começou a baixar (já caiu mais de 40% desde que a gritaria começou) e até os economistas mais “antidilmistas” reconhecem que o aumento da inflação foi algo eventual. A colheita do tomate, que coincidentemente começa ainda este mês, vai fazer com que tudo se ajeite.

Talvez seja por isso que, ao abrir o jornal na manhã de hoje, li que estão transferindo toda a culpa agora para a cebola. Enganaram-se. Ficaram prestando atenção no tomate, vigiando o tomate, fazendo ronda em frente à casa do tomate, e enquanto isso a cebola escapulia. Grilhões nela, agora.

Mas as coisas estão tão bem que isso não vai passar de piada sem graça, de novo.

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