
Não sei a sua, mas a minha pizza preferida é a de quatro-queijos. Só de imaginar aquela tira de queijo derretido espichando e lambuzando o queixo, a roupa e a toalha, já me dá fome. A pizza em si é uma das sete maravilhas culinárias do mundo. Claro que eu estou escrevendo sobre aquela pizza clássica e deixando de fora as invencionices de pizzaiolos criminosos. Essas pizzas de torresmo com leite condensado, ovo de codorna, lentilha e geléia de figo, eu dispenso. Tudo bem inovar, mas com um mínimo de respeito.
Comer pizza é um ritual. Esses dias, quando estava em outra cidade – morro seco, mas não digo qual – bateu aquela vontade de comer pizza. Vontade não. Necessidade. Procurei a palavra “emergência” no guia e encontrei uma pizzaria. O desenho me deu fome. Uma pizza quatro-queijos com aquela tirinha esticada. Deus – pensei – vai ser esta mesmo.
Pedi a tal pizza. Quando perguntei o preço, as palavras da atendente retumbaram nas paredes. Disse que dispensava os talheres de prata e o pró-secco. Que mandassem só a pizza. A atendente não riu. Tremi. Era sério. Mas a vontade era grande demais. Disseram que em vinte minutos a pizza seria entregue. Eu tinha vinte minutos para ganhar na loteria e conseguir pagar aquela iguaria.
Vinte e dois minutos depois, tocou a campainha. Espiei pelo olho mágico e o início de “Garota de Ipanema” me veio à mente. A coisa mais linda, mais cheia de graça, estava do outro lado da porta, com seus cabelos encaracolados tapados por um boné escrito tele-pizza. A expressão “de cair o queixo” nunca fez tanto sentido. Imaginei o que dizer quando abrisse a porta. A campainha tocou de novo. Ela estava com pressa. Pensei: vou dizer oi. Foi o que fiz quando abri a porta.
- Oi.
- Oi, foi daqui que pediram uma pizza?
- Foi. Entra.
- Não, eu espero aqui mesmo.
Acho que ela se referiu à fortuna que eu teria que desembolsar para tê-la. A pizza, claro. Pensei em alguma coisa para dizer, mas nada me veio ao cérebro. Força, Andy, você consegue, pensei comigo, enquanto contava as moedas de dez centavos. Como nada surgiu na minha mente, larguei a primeira coisa que veio da minha garganta. Melhor se tivesse arrotado. Não teria sido tão mal-educado:
- Nunca imaginei uma mulher como você entregando pizza. Parece um trabalho de homem...
Me arrependi na hora. Tive sorte de não estar num apartamento, senão teria corrido para a sacada. Ela não respondeu. Só me olhou, arrancando de mim a última réstia de esperança em comer aquela pizza a dois. Puxou o dinheiro da minha mão com tanta força que, por um segundo, pensei que fosse rasgar, e foi embora.
Ainda bem que ela não entrou. Teria descontado a raiva nela. Eu tinha pedido com borda! Com borda!
Comer pizza é um ritual. Esses dias, quando estava em outra cidade – morro seco, mas não digo qual – bateu aquela vontade de comer pizza. Vontade não. Necessidade. Procurei a palavra “emergência” no guia e encontrei uma pizzaria. O desenho me deu fome. Uma pizza quatro-queijos com aquela tirinha esticada. Deus – pensei – vai ser esta mesmo.
Pedi a tal pizza. Quando perguntei o preço, as palavras da atendente retumbaram nas paredes. Disse que dispensava os talheres de prata e o pró-secco. Que mandassem só a pizza. A atendente não riu. Tremi. Era sério. Mas a vontade era grande demais. Disseram que em vinte minutos a pizza seria entregue. Eu tinha vinte minutos para ganhar na loteria e conseguir pagar aquela iguaria.
Vinte e dois minutos depois, tocou a campainha. Espiei pelo olho mágico e o início de “Garota de Ipanema” me veio à mente. A coisa mais linda, mais cheia de graça, estava do outro lado da porta, com seus cabelos encaracolados tapados por um boné escrito tele-pizza. A expressão “de cair o queixo” nunca fez tanto sentido. Imaginei o que dizer quando abrisse a porta. A campainha tocou de novo. Ela estava com pressa. Pensei: vou dizer oi. Foi o que fiz quando abri a porta.
- Oi.
- Oi, foi daqui que pediram uma pizza?
- Foi. Entra.
- Não, eu espero aqui mesmo.
Acho que ela se referiu à fortuna que eu teria que desembolsar para tê-la. A pizza, claro. Pensei em alguma coisa para dizer, mas nada me veio ao cérebro. Força, Andy, você consegue, pensei comigo, enquanto contava as moedas de dez centavos. Como nada surgiu na minha mente, larguei a primeira coisa que veio da minha garganta. Melhor se tivesse arrotado. Não teria sido tão mal-educado:
- Nunca imaginei uma mulher como você entregando pizza. Parece um trabalho de homem...
Me arrependi na hora. Tive sorte de não estar num apartamento, senão teria corrido para a sacada. Ela não respondeu. Só me olhou, arrancando de mim a última réstia de esperança em comer aquela pizza a dois. Puxou o dinheiro da minha mão com tanta força que, por um segundo, pensei que fosse rasgar, e foi embora.
Ainda bem que ela não entrou. Teria descontado a raiva nela. Eu tinha pedido com borda! Com borda!
Nenhum comentário:
Postar um comentário