terça-feira, 13 de maio de 2008

A jornada da capivara

Encontraram uma capivara pertinho da minha casa. Veja só que coisa. Uma capivara de mais ou menos oitenta quilos, no centro da cidade. A capivara é um animal que vive próximo de rios e lagos. O mais próximo disso no local onde moro aconteceu em 2001, quando a garagem do prédio alagou. De lá pra cá, nenhum lago se formou nos arredores da minha residência.
Mas isso não foi problema para a amiga capivara. É claro que o habitat no qual ela estava inserida, a floreira do Edifício Via Vêneto, 575, não é exemplo de biodiversidade. Logo, ela não iria durar muito. Se não fosse o pessoal da Coordenadoria do Meio Ambiente, ela iria parar na grelha de algum caçador sem coração e com apetite para carnes exóticas. Talvez o destino desta capivara, desde o início, fosse esse. É grande a possibilidade de este animal ter sido criado em cativeiro, para fins alimentícios. Em sua ânsia por liberdade, fugiu e veio se esconder justamente na nossa floreira.
Mas a chance de ela ser um bicho dignamente selvagem não pode ser desconsiderada. Se ela realmente veio da beira de um rio, imagine a jornada desta capivara. Não paro de pensar naquele animal, determinado a pisar onde nenhuma capivara jamais pisou. Atravessando a cidade inteira, em busca de um novo significado para sua existência. Um roedor pioneiro. Fama ela já conseguiu. Vai sair em todos os jornais e, modestamente, na minha crônica semanal.
A mudança de ares, a busca de novos caminhos e de uma vida melhor traz muita gente para Marau. À procura de trabalho, vêm pessoas das mais diferentes cidades e regiões do estado. O município é referência em todas as áreas e, nesta semana, o prefeito Zanchin e o vice Rui foram buscar o Prêmio Gestor Público, concedido pelo Sindicato dos auditores de finanças públicas do RS. Um troféu que simboliza as ações criativas e inovadoras que nascem e crescem em Marau.
Realmente o município tem um grande diferencial. Quem vive ou trabalha aqui tem conhecimento. Somos fecundos empreendedores. É isto que traz mão de obra para cá. As vagas de emprego têm sempre concorrentes, porém, quem busca emprego raramente vem sozinho. Traz crianças que dependem de creches, famílias que carecem de atendimento médico e idosos que participam de grupos de atividades. Aí está o “algo a mais” marauense. Aqui, por enquanto, as necessidades estão sendo supridas com bastante eficiência, trazendo mais indivíduos em busca de novos horizontes.
Inclusive capivaras.

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