A Natália, minha amiga e ex-colega de trabalho, meu deu – esses dias – algo inesquecível. Desculpe, Natália, se era segredo e ninguém podia saber. Agora vamos ter que dividi-lo com as vinte e seis pessoas que lêem a minha coluna, incluindo o meu pai e o teu.
O que a Natália me deu foi a caneta mais bacana que alguém pode ter. Aconteceu assim: certo dia, as encontrei – a Natália e a caneta – no ônibus que leva os universitários para a UPF. Me apaixonei de cara. Pela caneta. Olhando de longe, ela não tem nada de especial. É azul, de alumínio, leva a marca de uma famosa fábrica francesa de pneus. Nem eu dei muita bola para o desenho dela, no início. Aí a Natália cometeu um grande erro: gabou a caneta.
- Olha só que caneta legal...
E me deixou pegá-la. A caneta. Só então reparei melhor no seu formato. A esferográfica, na verdade, era uma mola. Veja só a que ponto chega a criatividade dos fazedores-de-canetas. Uma caneta em formato de mola. Ou uma mola no formato de caneta, enfim.
Precisava tê-la. A caneta. E a Natália não seria páreo. Ninguém ficaria entre mim e aquela caneta-mola. Pentelhei, insisti, perseverei, chateei, até que a Natália desistiu e me deu. A caneta. Agora eu a tinha em meu poder. Que divertido era mostrar para todos a caneta mais bacana que alguém pode ter. E todos olhavam para ela com um certo ar de inveja. E a Natália com um certo ar de arrependimento.
Escrever com ela era horrível. Toda mole, dobrável e pesada. Impossível fazer uma letra decente com aquela caneta-mola. Mas não importava para mim. Eu estava nas nuvens com a minha caneta. O único marauense a ter uma caneta-mola. Não importa se isso é uma mentira. Talvez mais alguém tenha uma caneta dessas, talvez ela nem seja tão incomum assim, mas faz bem para o meu ego pensar que ela é só minha.
Porém, tudo o que é bom dura pouco, fiel leitor. Numa cinzenta manhã, depois de ficar horas admirando a minha caneta-mola na noite anterior, me dei conta de que ela havia sumido. Foi para aquele lugar aonde vão todas as canetas que somem, e não são poucas. Chorei, confesso. Sou um guri emotivo. Considero-me um romântico. A Natália nunca me perdoaria, também. Eu e ela, a caneta, já possuíamos uma relação afetiva. Ela combinava com todas as minhas camisas. Seria possível, ó leitor, que a vida seria tão injusta a ponto de me fazer perder a caneta mais massa que alguém pode ter?
Não, leitor. Hoje encontrei a caneta. Ela estava enrolada nas roupas para lavar, dentro do bolso de uma camisa. Por sorte, não havia ido para a máquina de lavar. Seria um estrago enorme. Não me refiro à lavadora. Lavadoras existem aos milhares. Aquela caneta é única.
Sou eternamente grato à Natália pelo que ela fez por mim. Vou cuidá-la e protegê-la para sempre. Nunca mais a perderei de vista.
A caneta.
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