segunda-feira, 10 de novembro de 2008

crônica: Imparcial

Queimou o microondas aqui em casa. Não sei se é certo dizer “queimou”. Só sei que ele não funciona mais. Ferrou geral. Agora virou um lindo adorno do armário da cozinha, extremamente útil para guardar pães e pastéis ainda próprios para consumo.
Não sei explicar o que aconteceu. Ele simplesmente desistiu de mim. De uma hora pra outra, ele passou a não esquentar mais a comida. Ficava horas naquele “uón, uón” interminável, mas tudo o que conseguia era tontear o frango assado. A comida continuava congela, quando deveria estar queimada, pelo tempo em que ficou girando lá dentro.
De uns tempos pra cá, passamos a usar mais o fogão à gás. Não por vontade própria, mas por falta de recursos para comprar um microondas novo, ou pelo menos pra mandar o antigo para o conserto. Mas é insuportavelmente mais complicado - e mais demorado – fazer a comida, do que ficar apenas observando ela ser feita por uma maquininha iluminada. Quem escreve isso é uma pessoa que vêm comendo, por mais de oito anos, Nuggets Perdigão feitos no microondas. Eles ficavam prontos em cinco minutos. Agora, leva no mínimo meia hora, no forno convencional, para os filezinhos de frango adquirirem uma temperatura razoável para que o esôfago não sofra a tentação de manda-los de volta. Não vai demorar muito para eu reavaliar minhas prioridades e comprar um microondas novo.
Quando eu quiser comprar um aparelho para a casa, eu sei bem onde ir. Existem várias lojas em Marau que vendem estes utensílios. Quando eu entrar numa loja dessas, meus olhos serão atingidos por cartazes de “grande oferta!”, “Microondas em promoção!”, “Você nunca viu nada igual”, “Aqui você encontra os melhores preços!”, et cetera. Alguém aí que está me lendo, já ficou decepcionado ou chateado ao entrar numa loja e encontrar tanta propaganda? Eu acredito que não, já que, se você está entrando em determinada loja, em busca de determinado produto, você está se sujeitando a esta situação.
Muita gente me critica pelo que escrevo neste espaço. Fala de imparcialidade jornalística, neutralidade, Coelhinho da Páscoa e outras coisas que não existem. Eu nunca obriguei ninguém a ler esta coluna. Se você, leitor que chegou até aqui, está lendo este texto, é porque quer saber o que eu estou pensando. Você não está interessado em realidade. Está interessado na minha idéia, para analisar e comparar com a tua, e tirar uma conclusão. Se não fosse para escrever sobre o que eu penso, este espaço não teria o meu nome escrito ali em cima, antes do título da crônica.
Então, me desculpe, se você não pensa como eu. “Qua comando mi”, ou algo parecido. Viva o Inter, o Rock, o Rio Grande do Sul, o Filé à Parmegiana e todas as coisas que eu gosto e defendo. Não se cobra imparcialidade de colunista. Não se cobra imparcialidade de ninguém. A neutralidade é o princípio da ignorância.
Mas, é claro, por um microondas novo, eu escrevo o que você quiser.

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