terça-feira, 11 de novembro de 2008

Relato: As férias mais caras da minha vida

Passada a eleição, resolvi me dar um mês de férias. Recuperar o sono atrasado do período eleitoral e principalmente curtir um pouco do, como diria o meu avô, "Dolce far niente", se é que se escreve assim. Mas, em italiano ou não, eu queria mesmo era ficar de barriga pro ar.

Um mês para quem estava há três anos sem férias é, no mínimo, justo. Provar novos queijos e vinhos, aproveitar os prazeres da carne e da pizza, ver novos filmes e, principalmente, viajar. De ônibus, mesmo. Visitar parentes e ver lugares novos.

Depois de conhecer um hotel-fazenda bem mais ou menos, na região de Caxias, resolvi visitar alguns parentes em Santa Catarina. Era para ser uma viagem barata e sossegada. Mas alguns sinais me mostraram que não seria assim. Ainda na rodoviária de Passo Fundo, precisei aguardar o ônibus, trinta e cinco minutos atrasado. Quando ele finalmente chegou, entrei todo faceiro e pimpão em busca da minha poltrona trinta e nove, bem no fundo, numa janela da direita, o último lugar a sofrer uma avaria, no caso de acidentes rodoviários, afinal, o seguro morreu de velho. Mas meu sorriso, sempre presente ao começar uma viagem, se desfez quando cheguei na minha poltrona. Uma doce senhorita já ocupava o meu lugar.

- Perdão, moça. Minha poltrona é a trinta e nove.

- A minha também. Comprei em Porto Alegre.

Pronto. Primeira confusão. Ainda bem que ninguém havia comprado a quarenta, e pude viajar. Não no lugar que eu queria, mas vá lá. O importante é chegar, mesmo que durante a viagem eu precisasse agüentar a guerra por espaço. Cotovelos prontos e em seus lugares, naquele jogo de adivinhação "eu vou colocar o meu braço aqui para ela colocar o dela ali, e quando ela quiser se esticar eu vou colocar o joelho aqui", para evitar a briga efetiva por centímetros no encosto do banco. A viagem foi relativamente tranqüila.

O problema mesmo foi na casa dos meus tios. A idéia foi do meu primo.

- Vamos para as Águas da Barra do Leão?

Ôh, claro que vamos. O calor estava infernal, mesmo. Entre nós dois, apesar do carro ser dele, o único habilitado para dirigir era eu. Então, eu é que fui dirigindo. Meu primo foi de moto. Mas é claro que eu não consegui ir devagar, sem pressa. Tive que acelerar, acompanhar meu primo de moto. E aí aconteceu. Ó, leitor, aconteceu! Como diria Drumond, eu acho, "Tinha uma Kombi no meio do caminho". Acertei a Kombi.

Ah, meu "dolce far niente"! Vai me custar pelo menos uns três meses de trabalho...

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