quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Crônica: Nós éramos o Golias


Dois anos depois, a sensação é de que eu já nasci campeão do mundo. Mas é com certeza muito melhor do que isso. Quase como se fosse combinado, o meu time esperou eu me tornar absurdamente fanático, para me dar a maior das alegrias. Me fez passar pela década de noventa, tendo que discutir com campeões intercontinentais, tendo como munição um campeonato brasileiro invicto e a soberania em Grenais e Gauchões. Eu amava o meu time, mas não era a mesma coisa. Saía vitorioso nas chacotas, quando encontrava rivais que não conheciam muito sobre a história do seu time, mas porque sempre fui melhor com as palavras do que com a bola, propriamente dita. Porém, tinha certeza que a maioria dos meus coleguinhas de aula, por exemplo, não tinham a mesma sorte.
Mas tudo aquilo passou, em 17 de dezembro de 2006. Os argumentos agora são todos meus. E depois de lá, até hoje, foram inúmeras carreatas, incontáveis cornetas e infinitas alegrias. Taças novas que me fizeram concluir que, apesar de toda a moda de humildade pregada entre os torcedores, sim, nós somos o Golias.
O Barcelona tinha a fama, mas não tinha a vontade de vencer que nós tínhamos. E o que importa mais? Eles tinham as peças, mas nós tínhamos a tática. E o que prevaleceu? Os melhores do mundo tinham a camiseta. Mas o suor era todo nosso. E, no fim das contas, é isso o que define. Venha a nós o retrospecto: depois daquele embate de 2006, qual dos times deu mais alegrias aos seus? Internacional, com uma Recopa, uma Sul Americana, um estadual e uma Copa Dubai, ou Barcelona, com – prepare-se: nada. Somente com esta análise, podemos pontuar, entre ambos, qual é o Titã do confronto.
Não importa quanto tempo passará. O que fica é que naquele confronto, quem foi um gigante imbatível fomos nós. A história é escrita pelos vencedores, e naquele momento, estávamos fazendo a nossa história. E passamos a ser conhecidos como Aquele a ser vencido. O papão de títulos. O Campeão de Tudo.
Irreversivelmente, um Golias.

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