sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Crônica: Renovação e inovação

O mundo dá tantas voltas que às vezes tonteia e provoca ânsia. Algumas coisas que pareciam claras como a água para mim quando criança, hoje já mudaram completamente. Sinal claro de que eu estou ficando velho. Ou que estou deixando de ser jovem.
Esses dias eu estava conversando com alguns alunos do IESTA, escola onde honrosamente completei o segundo grau – perceba, nem se fala mais “segundo grau” – quando me peguei falando o seguinte:
- Na minha época...
Daí, pensei comigo: “gente, eu já tenho época!”. Quando alguém tem época, é porque está na hora de começar a ganhar camisas de botão de presente de Natal. E daqui a pouco, gravatas, e mais para frente, meias carpim. Mas algo aí está errado. Fiz vinte e um anos mês passado e já sou o mais velho dentro do setor onde trabalho. Mas então, será que estou realmente ficando ultrapassado?
Na verdade, não. O mundo é que está desembestado. O que era bom antes, hoje não é mais e às vezes vice-e-versa. Descobriram esses dias que se pode emagrecer comendo mortadela, e que bastante vinho faz bem para a saúde. Mas quando eu era criança, isso era inconcebível. Logo, logo, vão descobrir mais um erro dos nossos pais e avós. Estou louco para que descubram de uma vez que bacon faz bem à saúde, para eu poder cobrar todos os quilos que deixei de comer neste tempo todo. Não se pode brincar assim com a inteligência do nosso povo e dos nossos trabalhadores. O que estão pensando...
Fato interessante é que passamos, digo a humanidade, mais de dez mil anos só no papiro. Depois, mais uns trezentos e cinqüenta anos com a prensa de Guthenberg, depois mais uns cento e cinqüenta anos com o Rádio de Marconi e o Telefone de Graham Bell, depois uns cinqüenta anos com a televisão de John Baird. Cada vez mais rápido, os meios de comunicação se renovam. Agora, surge um meio novo de transportar idéias a cada ano. E a evolução do homem passou a ficar em segundo plano, a perder para a evolução da tecnologia.
Então, ultimamente mais do que nunca, não dá pra se prender muito a conceitos conhecidos e transmitidos há gerações como a coisa certa a ser feita. Já se pesquisa para provar que a menor distância entre um ponto e outro, na verdade não é a linha reta. E se tudo é relativo, amanhã pode não ser mais, contrariando tudo o que eu escrevi até agora. Mas se Einstein pode errar, um guri do interior do RS também pode.
2009 será outro ano de renovação e inovação. Por isso, vamos esperá-lo chegar para debater sobre algo que realmente importe.

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