sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Crônica: Sopro de lucidez

Eu serei a favor da PEC dos vereadores a partir do momento em que me mostrarem um – unzinho, unziquinho de nada – motivo para criarem novas vagas legislativas no Brasil. Estarei magoando amigos com este texto, mas vá lá. Se forem amigos, mesmo, me entenderão.
A própria estrutura atual dos poderes legislativos municipais praticamente não tem serventia. Me desculpa, De Conto, mas é verdade. Uma guerra de vaidades e um vaivém de discursos, uns de carona com o executivo, outros tentando dificultar o trabalho do executivo. Poder independente uma ova. Não falo isso apenas em âmbito marauense. O status quo garantido pela democracia é culpado pela inoperância do Poder Legislativo Municipal em todo país. Na verdade, hoje um bom vereador é, ou aquele que defende com unhas e dentes o prefeito, ou aquele que faz de tudo para infernizar a vida da situação. Mais uma vez, a culpada é a democracia, que insiste em dividir a sociedade em situação e oposição quanto a tudo. Se nos apraz, defendemos, se nos desagrada, confrontamos. A liberdade do indivíduo acabou com a própria liberdade do indivíduo, como produtor de idéias e colaborador. O que existe são duas barragens de fogo, entrincheiradas, trocando obuses de artilharia. Aumentar a quantidade de vagas no legislativo com o objetivo de aumentar o número de siglas representadas na Câmara é um absurdo, porque no fim das contas, elas se unem em oposição e situação e ponto final.
Acredito que, se for para continuar neste sistema, o número de cadeiras legislativas já está mais do que bom. Em algumas cidades, na verdade, está demais, segundo este que vos escreve. Falando especificamente de Marau, já que o Brasil é grande demais, acredito que as nossas nove vagas são suficientes, porque espelham efetivamente a realidade política atual. Assim, não incentivam as siglas de aluguel e não inflam a bexiga orçamentária. Porque dizer que mais 7,3 mil vagas legislativas não gerariam gastos, isso é brincar com a inteligência do nosso povo e do nosso trabalhador. Aqui em Marau, por exemplo, seriam mais de doze mil reais a mais somente em salário. É claro que este valor mensal triplica se forem contados os gastos com assessores, material de expediente, estrutura física, e a indústria da diária. No fim das contas, algumas habitações populares deixariam de ser construídas em um ano. Mesmo o repasse orçamentário não sendo alterado, como consta na Proposta de Emenda Constitucional, o desperdício de dinheiro público seria enorme.
Deixo o meu emêil à disposição para quem conseguir pensar em um – sequer um – benefício prático que traria para os marauenses a criação destas quatro vagas. Foi revigorante este sopro de lucidez da Câmara dos Deputados em barrar a PEC (pelo menos até sexta-feira, 13h, quando entreguei este texto). Um presente de Natal para o povo brasileiro.
Mas, em Marau, eu sei de quatro famílias que não estão compartilhando desta alegria.

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