Conversando com a Candice da Revista Aqui e com o noivo dela, o Artur, surgiu algo que não posso deixar de transmitir a vocês, estimados trinta e dois leitores desta coluna. Um exemplo rápido e claro de como uma história que parece ser imutável poderia ser completamente diferente, e só não foi por um raspão. Mas foi ali, ali.
Dizem que um detalhe pode fazer toda a diferença. Há um exemplo claro na história de Marau. A bipolarização política de nosso município, que muitos acreditam ser resquício da ditadura militar, onde um partido estava do lado dos milicos e o outro não (como se fosse simples assim...), na verdade começou muito antes, ainda antes da emancipação. Ainda no tempo do Getúlio Vargas. Borellas e os seus no PTB e Fialho e os seus no PSD. Ambos os partidos fundados pelo Vargas, diga-se de passagem. Toda a história de Marau pode ser resumida na briga política dessas duas alas. Times de futebol, CTGs, hospitais, empresas, escolas, tudo tinha a marca de um dos lados, e servia aos seus correligionários. Uns mais ferrenhamente e outros mais moderadamente. Houve relativa trégua para o processo de emancipação, pelo menos em frente às câmeras, para que se decidisse no tapa as eleições vindouras.
Aí entra o nosso herói. Reinoldo Matte. Foi vice-prefeito no primeiro mandato, mas não porque compunha chapa com Lauro Ricieri Bortolon, nosso primeiro chefe do Executivo. Matte foi o segundo mais votado naquela eleição. Perdeu por apenas 51 votos e, por isso, tornou-se vice. Eram outros tempos e outras regras. E adivinha de que partido era? Do PL, que era a terceira via política da cidade. Seria engraçado, os partidos que brigaram pelo poder por décadas antes da emancipação, e que ditariam o ritmo da política depois de Marau se tornar município, aí chamados de ARENA e MDB, ou PP e PMDB, perderem a primeira eleição para uma terceira via. Mudaria completamente a história da cidade e a tendência de bipolarização da política local.
Por 51 votos, 51 pessoas, a história de Marau não foi totalmente modificada. Uma sociedade que se acostumou a discutir política posicionando-se ao lado de A ou B, acabar votando e sendo governada por C. Não se leva em conta, aqui, as preferências políticas de Matte, ou com quem se alinhava, apenas que ele não pertencia às siglas principais. O interessante é saber que por pouco tudo o que conhecemos por “política local” não deixou de existir, ainda na primeira eleição. Certamente, seria uma surpresa enorme para os líderes do PSD e do PTB, na época.
Mas... Não aconteceu. E aí se transformou numa daquelas coisas interessantes que fazem a gente ficar pensando: e se, e se, e se...
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