Acho que estamos indo longe demais com essa história de bulling. Pode parecer retrógrado de minha parte, e até deve ser. Hoje em dia, qualquer coisa que saia da sua boca, em público, pode ser causa de levante judicial contra você. Nunca a expressão “tudo o que você disser pode e será usado contra você no tribunal” foi tão verdadeira.
Agora uma pesquisa prova por á mais bê que o bulling é mais freqüente em escolas particulares do que em escolas públicas. Ah, vá. E precisou gastar em pesquisa para chegar a esta conclusão? É óbvio que nas instituições particulares o abismo social é mais acentuado, a rixa entre classes é mais exposta e até incentivada por alguns pais desavisados e desnaturados. Atenção, pai rico, cuide para não estar incentivando o seu filho a ser o bonzão da turma.
Falo com a propriedade de quem estudou grande parte da infância e adolescência em colégio particular, mas também passou por escola pública tempo suficiente para perceber as diferenças sociais latentes que existem dentro de ambas. É comum em qualquer escola, seja pública ou privada, jovens se colocarem apelidos. Balofa, Pescoção, Ripa. Eu mesmo tive apelidos e os coloquei, na mesma proporção. Não vejo questões psicológicas em se enfrentar um apelido. Talvez eu seja menos sensível que os outros, mas os problemas reais que eu via acontecer na escola, não era a brincadeira sobre o peso ou sobre alguma parte saliente do corpo. Eram discriminações explícitas de raça, credo e classe social. O que estão fazendo com essa discussão de sobre bulling é colocar tudo no mesmo saco. Se não isso, pelo menos estão minimizando o problema mais sério e teorizando sobre uma mania de criança. E o pior, aplicando a mesma regra aos adultos.
Outra coisa: sofre bulling quem não se olha no espelho. Por exemplo, a moça do BBB, a que chamam de Jabulani. Ela é gordinha. Eu também sou gordinho. Se me chamam de gordo, eu dou risada e concordo. O que mais eu posso fazer? Ficar deprimido, dizer que as pessoas não tem o direito de me chamarem de gordo? Ora essa. Eu me olho no espelho todos os dias, não tenho problema nenhum das pessoas me chamarem de gordo. Porque eu sei que sou gordo. É claro, um adulto tem esta percepção mais desenvolvida do que uma criança. Então talvez com os pequeninos deve-se ter mais cuidado.
Mas reprimir toda e qualquer manifestação agressiva, na minha opinião, também pode criar adultos fracos. Adultos que não sabem lidar com a própria auto-estima. Não sabem como receber uma crítica, e nem um elogio. Adultos que não foram forjados no calor da batalha de um pátio-de-escola. E acima de tudo: adultos chatos de galocha.
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