sábado, 4 de junho de 2011

Eles nos querem ignorantes

“Eles” pertencem a uma organização muito poderosa. Eles mandam em tudo. Eles sabem de tudo. Às vezes, são chamados de “Os homens”. Os homens, por sua vez, não podem ser encontrados. Não são identificáveis, não são acessíveis. Ninguém sabe onde eles moram, quiçá quem são. Mas “eles” existem, e rondam todas as decisões, todas as providências. Detêm o poder sobre quase tudo de importante que acontece no mundo. Pelo que fiquei sabendo, “eles” são menos de vinte. Talvez quinze. Até os Engenheiros do Hawaii já escreveram sobre os homens, perguntando “quem são eles? Quem eles pensam que são?”.

Você já ouviu falar deles. Já esbarrou com frases do tipo: “eles não deixam”, “os homens não querem”, “Depende deles”. E você que pensava que “os homens” fossem uma entidade abstrata, sem valor, ou alguém que você conhece. O líder comunitário, o dono da empresa. Talvez, em situações de maior envergadura, o Presidente da República. Engana-se. Estas e todas as outras autoridades respondem a “eles”, embora não saibam quem são. Eles sabem que você existe. Mas, para eles existirem, é preciso que nós ignoremos a existência deles. Ou seja, eles nos precisam ignorantes. O grande plano deles não é enriquecer, nem obter vantagens individuais. Eles querem ter o controle. Vivem e morrem pelo controle. Dominam nossas vidas e nossas mentes. Quem garante que não estejam controlando minhas intenções, ao escrever este texto?

A última grande tacada d`os homens foi a indefectível cartilha da discórdia. Aprovada pelo Ministério da Educação e Cultura – provavelmente sob forte lobby d`eles – ela vai ensinar a falar errado, escrever errado e, consequentemente, pensar errado. Que grande vitória desta imensa corporação invisível. Como se não bastasse “os homens” pregarem a ignorância nos grandes bolsões populares, na televisão, em Big Brothers e inúteis programas de auditório, através de suas marionetes igualmente ignorantes, agora flanqueiam a última trincheira de defesa da cultura e da inteligência, as escolas. Já tão abatidas e desfiguradas, agora sim que as entidades de ensino de algumas partes do país se rendem de vez. Ensinando que é certo falar “nós pega os peixe” e “os menino lê os livro”, e chamando de preconceito linguístico o ato de falar dentro dos padrões da norma culta.

E não importa que os pais se indignem, contrariados com a obrigação imposta a seus filhos de crescerem ignorantes. Esta decisão não cabe aos pais, nem aos professores, nem aos alunos. “Eles” já decidiram. E quando eles decidem, não há o que fazer. Eles pertencem a uma organização muito poderosa. Mandam em tudo, sabem de tudo. Eles são chamados de “Os homens”. E os homens não podem ser encontrados, e nem culpados, e nem punidos por suas péssimas intenções.

Um comentário:

Doug disse...

É Andy, ainda tivemos sorte de viver na época que ensinavam certo (embora eu não tenha aproveitado isso), mas tenho pena de nossas próximas gerações...