sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Vitória da Luz


Aconteceu um eclipse lunar esses dias. Foi possível vê-lo de qualquer parte do mundo. Inclusive em Marau, que embora por vezes não pareça, é parte integrante do planeta Terra. Acompanhei o eclipse inteiro, ou pelo menos a parte que o nosso hemisfério sul pode acompanhar. Mas vi desde quando um tiquinho de Lua começou a aparecer, até o final, quando o nosso satélite voltou a brilhar firme, forte e sem cáries, no céu de nosso município. E do resto do mundo também. Programei o despertador do celular para que me avisasse a cada dois minutos, e assim fui registrando o eclipse. Está lá no meu blog, inclusive, uma montagem grosseira dessas fotos, mas que vale só pela intenção.
Preste atenção nesta pequena aula de astronomia, telescópico leitor. Ela não serve para nada, nem para o entendimento do restante do texto, mas preciso que minha crônica tenha trinta e cinco linhas, então, lá vai: o eclipse lunar acontece quando a Terra projeta a própria sombra em seu satélite. Isso acontece quando os três astros, Sol, Terra e Lua, estão alinhados. Mas a Terra tem que estar no meio deste sanduíche gostoso e a fase da Lua deve ser Cheia. Quanto mais alinhados estiverem os três astros, mais o eclipse se aproximará do Total, como foi este último. Se eu estiver errado, que me corrijam os astrônomos de plantão. Mas de preferência não em público.
Já me perdi no tempo, por diversas vezes, olhando para a Lua. Não sou romântico, só a considero inspiradora. E sei de muita gente que compartilha desta opinião. A Lua sempre impressiona alguém, que pode variar entre um casal de namorados e um cão sarnento, disposto a uivar a noite toda. De qualquer maneira, há sempre alguém olhando para a Lua. E não me parece nada estranho que seu momento de maior glória seja quando uma grande sombra se projete sobre ela.
A sombra não é o inimigo, por mais que pareça ser. Ao tentar sobrepujar a Lua exatamente na fase em que ela está mais brilhante, a sombra trabalha para jogar ainda mais olhares sobre o astro. Ao tentar fazê-lo desaparecer, ela o apresenta para o mundo e lhe dá mais uma chance extraordinária de brilhar. Quem sabe esperar – e nem é tanto assim – é brindado com um espetáculo de renovação e força poucas vezes comparável. A vitória do brilho sobre a escuridão. É a prova definitiva de que é muito melhor ser um astro brilhante que precisa enfrentar, de tempos em tempos, alguém tentando encobri-lo, do que ser um mero asteróide errante, que aparece e pensa que assusta, mas vai embora rapidinho.
É isso ou este clima todo de eclipse despertou o lado Martha Medeiros que vive em mim...

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