A matéria
publicada pelo Jornal de Marau, na edição de semana passada, falando sobre o
montante gasto em diárias pela prefeitura nestes primeiros meses do ano teve
bastante repercussão, como era de se esperar. Foi citada pelos vereadores, na
Câmara, e recebeu dezenas de comentários no mural interativo da Vang FM, este
instrumento fantástico de interatividade.
Outro
instrumento fantástico é o Portal da Transparência. Este sítio na internet nos
permite acompanhar todas as movimentações financeiras do Poder Público e, a
partir do final do mês será obrigatório para todos os municípios brasileiros.
Aqui, na terra abaixo do Rio Uruguai, muitos já possuem seu portal em pleno
funcionamento. O de marau está no ar desde 2011. De lá para cá, qualquer real
que entrou ou saiu da prefeitura, está lá registrado, para conferência e
fiscalização popular. Tudo é público, e merece ser averiguado.
Esta questão
das diárias, por exemplo. Um tema que foi amplamente discutido durante as
eleições. Não somente nos debates e nos comícios populares, mas no boca-a-boca,
onde as campanhas pegam fogo de verdade. É errado receber diárias? De maneira
nenhuma. Eu mesmo as recebia, no período em que cumpri a função de assessor de
comunicação na Prefeitura. Está lá no Portal da Transparência também. Foram R$
310,68 no ano de 2012 e R$ 492,19 em 2011. É público, não há porque não
divulgar.
Diárias são um
direito do funcionário público, que precisa ter seus gastos reembolsados,
embora seja discutível esta forma de reembolso. Mas que há a necessidade de
ressarcimento, isso é inquestionável. Que o prefeito seja o maior recebedor de
valores em diárias, também é normal. Como o ressarcimento é proporcional ao
salário e o chefe do executivo é quem tem o maior vencimento, suas diárias
serão, logicamente, mais polpudas. É dele também a responsabilidade de viajar
mais, se fazer mais presente nas capitais estadual e federal, em busca de
recursos.
Qual é a
polêmica, então, quando se discute o gasto da prefeitura com diárias em 2013? É
simplesmente o fato de que os valores explicitados no Portal da Transparência
vão totalmente de encontro à política de austeridade propagandeada nos
primeiros meses, inclusive com o cancelamento do Carnaval Municipal, sob o
pretexto de que a saúde financeira do município não ia bem. Não se encaixa
também no discurso de campanha do prefeito Josué, que condenava ferozmente o
gasto com diárias e reembolsos praticado na administração anterior. Sob este
ponto de vista, é inadmissível um município que - se diz - iniciou o ano em
situação deficitária, ter ultrapassado os R$ 100 mil somente com diárias, antes
de vermos fechado o quinto mês do ano. Há algo que não fecha.
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