segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mundial começou, mas Porto Alegre ainda não está pronta


Estrangeiros e brasileiros concordam em uma coisa: a estrutura é boa, mas poderia estar melhor. Embora o Estádio Beira Rio impressione internamente, eu entorno apresenta falhas que podiam ter sido corrigidas não com mais recursos, mas com mais capricho.

O ponto-chave não são grandes reformas ou obras faraônicas. São buracos na calçada, cercas mal-instaladas e defeitos pequenos, que acabam chamando atenção de quem circula nos arredores. E acabam sendo fundamentais para construir a opinião de quem acredita que o Brasil poderá fazer fiasco.

Carlito e Luigi Silvestri, com suas experiências em outras copas, depõem que defeitos existiram em todo lugar. Nos Estados Unidos, em 1994, havia um galinheiro embaixo de uma das arquibancadas do estádio de Stanford. Na Alemanha, era impossível estacionar a menos de um quilômetro de qualquer estádio. Na África do Sul, as câmeras precisavam se reposicionar a todo momento para não fotografar a sujeira e as obras incompletas. No Brasil não é diferente.

Franceses treinam lá dentro, e funcionários assentam leivas de grama do lado de fora.

Mas o que se vê na capital gaúcha é resultado mais de desleixo do que de falta de recursos ou tempo hábil. São coisas que poderiam ser feitas, e não foram. Enquanto a seleção francesa reconhecia o gramado dentro do estádio, para o jogo deste domingo contra Honduras, operários plantavam leivas de grama do lado de fora.

Quanto ao clima de copa, pouco se vê em Porto Alegre. A cidade segue sua rotina como se nada estivesse acontecendo. José Assim, taxista, afirma que em outros anos, quando a sede não era o Brasil, isso era diferente. “Em 2010 a copa era lá na África, e a Goethe estava toda enfeitada, os prédios tinham bandeiras do Brasil penduradas nas janelas. E neste ano, que a copa é aqui, nada disso aconteceu”, explica. “Acho que é porque desta vez o brasileiro ficou sabendo como é que tudo isso é feito. E tem bastante coisa que a gente não concorda”.

Símbolos da FIFA dividem espaço com as obras inacabadas.

ADENDO: Um pessoal no site da Vang comentou que eu não analisei o "copo meio cheio" na matéria, e escrevi somente sobre o que há de ruim. É sobre isto que este texto se propõe: a analisar o que está ruim. De fato, a matéria diz que Porto Alegre não está pronta, e não que tudo está errado. Certamente, durante a copa, que iniciou há menos de uma semana, vamos escrever sobre as características positivas também. Embora as grandes emissoras de televisão já se foquem nisso o suficiente. Mas se alguém sentiu falta de elogios, o estádio ficou lindo. Maravilhoso. Um pitelzinho. Olha aí:


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