Leonardo Carcamo é hondurenho e veio ao Brasil junto com seus pais, José e Gina, e seu irmão Carlos, para prestigiar sua seleção. Honduras nunca venceu uma partida nas outras participações em Copas do Mundo. Jogará neste domingo contra a França, no Beira Rio. Leonardo e sua família estão confiantes.
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| Leonardo, Jose, Andersson, Gina e Carlos. |
Eles chegaram ao Brasil por São Paulo, e lá presenciaram a abertura da copa sem entrar no estádio. Não conseguiram ingressos, eles me contam. Depois, vieram para o Rio Grande do Sul, de onde conhecem, especificamente, o churrasco e a nossa proximidade com a Argentina. Leram alguma coisa na internet também sobre os imigrantes, e que por aqui tem bastante alemão, italiano e polaco. Tudo verdade. Estavam no estádio, na manhã deste sábado, os quatro, tentando encontrar ingressos para a partida de Honduras. Não encontraram um voluntário que falasse sua(s) língua(s), então os ajudei. “Looking for tickets”? Yes. “Come over here”. OK. E assim por diante. Leonardo me contaria depois que moram em Chicago, Estados Unidos, mas que o inglês é ensinado nas escolas de Honduras tanto quanto o espanhol, e que existe um departamento (como eles chamam as unidades federativas de lá, equivalentes aos nossos estados) do país que já adotou o inglês como língua oficial.
Fomos almoçar juntos, os cinco. Eu comi um sanduíche do Mcdonalds. Eles me pediram porque eu não comia “brasilian food”. Disse-lhes que já estava acostumado com comida brasileira, que por aqui chamamos simplesmente de “comida”, mesmo. Feijoada com laranja e couve refogado, foi o que Gina e Jose escolheram. Tiraram até foto do restaurante. Leonardo e Carlos devoraram uma macarronada e, de sobremesa, um croissant com chocolate. Lhes indiquei uma boa churrascaria para que experimentem o “tchurraco” que eles tanto ouviram falar. E tentei ensinar Gina a dizer “churrasco” de maneira correta, mas não obtive sucesso. Além de nossa comida típica, eles também conhecem Gisele Bündchen. Mas para Leonardo, ela não é uma das Top Models mais conhecidas do mundo. É a “esposa do Tom Brady”, um dos mais carismáticos jogadores de Futebol Americano. Por lá, ele é o mais famoso do casal.
Entrevistei Leonardo para a Vang FM. É sempre bom saber o que os estrangeiros acham de nós. Infelizmente, o que ouvi dele não foi agradável. “Por ser uma estrutura de copa do mundo, acreditávamos que estaria melhor. Sabemos que o povo brasileiro se esforçou, mas ainda há muito coisa inacabada”, ele avalia. “Nossos políticos sul-americanos, nós conhecemos bem. Não quero usar a palavra ‘corruptos’, então digamos que eles sejam meio lentos. Mesmo assim o Brasil fará uma excelente copa”, opinou. Sobre o povo brasileiro, Gina e José foram mais gentis. “São bastante hospitaleiros. É a imagem que temos da maioria”, diz ela. “Por onde fomos, parece que sempre estiveram se esforçando para nos fazer se sentir em casa”, complementa ele.
Nos Estados Unidos, eles leram sobre a morte de Fernandão. Fizeram questão de fotografar o local de homenagens ao ídolo colorado. Também conhecem D’Alessandro. Leonardo inclusive conversou com ele, quando encontrou o jogador caminhando em um calçadão em Miami. Aos poucos, foi se familiarizando com o Inter. Confesso que muito por minha insistência em conversar sobre o time. Depois do almoço, já queria comprar uma camiseta colorada. Tomara que leve boas recordações do Rio Grande do Sul, e esqueça das nossas mancadas.
Assim como todos os estrangeiros que nos visitarem.

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