Torci o pé. Na verdade, não é correto dizer que torci o pé. O pé em questão foi a única coisa que permaneceu imóvel no acidente. O que eu torci foi o corpo, mas o pé não acompanhou o movimento do tornozelo. Foi feio. Um tombão na frente da prefeitura. Não deu nem tempo de sentir vergonha. Caí na frente de um Fiat Uno. A motorista ainda teve a delicadeza de perguntar se eu estava bem. Se fosse eu o motorista, estaria me rachando de rir. Sou assim, não consigo segurar o riso. Se eu vejo alguém caindo e a graça do tombo ultrapassa a gravidade da situação, então eu me acabo rindo, mesmo. Mas a moça do Uno não. Obrigado, moça, pela gentileza e por não ter me atropelado.
Enquanto estava aqui, imobilizado por um tombo na frente da prefeitura, com a pata para o ar por recomendação da dona Marlene, procurava na internet algum texto para plagiar, já que não tinha a mínima idéia de que assunto abordar. Foi então que lembrei que amanhã é o feriado da República. A gente não se lembra muito dos feriados quando caem nos finais de semana. Ainda mais quando tem a ver com a política brasileira.
República, como vocês já sabem, vem do latim Res Publica, que significa “vaca bastante conhecida”. Nasceu em Roma, o que não significa muita coisa. No Brasil, nasceu em 1889. Como se sabe, a República é um sistema onde o povo tem o direito e o dever de escolher seus representantes, geralmente por voto livre e secreto. Pode ser presidencialista, como no caso dos Estados Unidos; parlamentarista, como a Alemanha; ou Petista, como o Brasil.
A República, então, é um sistema teoricamente democrático de acesso popular ao poder. O povo eleito pelo povo. Democracia também vem do latim, Demos Cracia, que significa “Poder do Coisa-Ruim”. Analisando por um ponto de vista histórico, tudo o que não é monarquia, é República. Não que inexistam monarquias democráticas, ou Repúblicas autoritaristas. Enfim, pare de me c
onfundir, leitor.
O conceito básico de República é bastante ambíguo. Grande novidade. Às vezes é confundido com Democracia, às vezes com liberalismo, às vezes com libertinagem. Mas o mais comum é avaliarmos a República como sendo o “respeito às instituições”. As instituições que fazem parte da República? Mais ambigüidade. Acredito que sejam: família, estado, nação, eticétera. Coisas abstratas. Mas também podem ser os poderes que a tornam válida: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Em se tratando de Brasil, e fazendo a análise do conceito sob essa ótica, estamos longe de ser uma, então. O que menos há neste país é respeito às instituições. Talvez porque as instituições não respeitem a Res Publica. Como tudo é transitório, talvez o futuro nos reserve um regime de governo mais fácil de explicar do que a República e a Democracia, que, como diria Churchill, é “o pior sistema de governo já inventado, tirando-se todos os outros”. Quanto mais alto, maior o tombo.
E por falar em tombo, meu Dia da República vai ser bem paradão, aqui, de pata para o ar.
* publicada no Jornal de Marau, dia 15 de novembro de 2008.
Enquanto estava aqui, imobilizado por um tombo na frente da prefeitura, com a pata para o ar por recomendação da dona Marlene, procurava na internet algum texto para plagiar, já que não tinha a mínima idéia de que assunto abordar. Foi então que lembrei que amanhã é o feriado da República. A gente não se lembra muito dos feriados quando caem nos finais de semana. Ainda mais quando tem a ver com a política brasileira.
República, como vocês já sabem, vem do latim Res Publica, que significa “vaca bastante conhecida”. Nasceu em Roma, o que não significa muita coisa. No Brasil, nasceu em 1889. Como se sabe, a República é um sistema onde o povo tem o direito e o dever de escolher seus representantes, geralmente por voto livre e secreto. Pode ser presidencialista, como no caso dos Estados Unidos; parlamentarista, como a Alemanha; ou Petista, como o Brasil.
A República, então, é um sistema teoricamente democrático de acesso popular ao poder. O povo eleito pelo povo. Democracia também vem do latim, Demos Cracia, que significa “Poder do Coisa-Ruim”. Analisando por um ponto de vista histórico, tudo o que não é monarquia, é República. Não que inexistam monarquias democráticas, ou Repúblicas autoritaristas. Enfim, pare de me c
onfundir, leitor.O conceito básico de República é bastante ambíguo. Grande novidade. Às vezes é confundido com Democracia, às vezes com liberalismo, às vezes com libertinagem. Mas o mais comum é avaliarmos a República como sendo o “respeito às instituições”. As instituições que fazem parte da República? Mais ambigüidade. Acredito que sejam: família, estado, nação, eticétera. Coisas abstratas. Mas também podem ser os poderes que a tornam válida: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Em se tratando de Brasil, e fazendo a análise do conceito sob essa ótica, estamos longe de ser uma, então. O que menos há neste país é respeito às instituições. Talvez porque as instituições não respeitem a Res Publica. Como tudo é transitório, talvez o futuro nos reserve um regime de governo mais fácil de explicar do que a República e a Democracia, que, como diria Churchill, é “o pior sistema de governo já inventado, tirando-se todos os outros”. Quanto mais alto, maior o tombo.
E por falar em tombo, meu Dia da República vai ser bem paradão, aqui, de pata para o ar.
* publicada no Jornal de Marau, dia 15 de novembro de 2008.

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