sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Crônica: Primeira vez



Perdi a minha com quinze anos. Geralmente é a idade média para se perder. Até porque, antes disso ninguém te dá muita bola. Quanto mais alguém que te interesse. Você é uma criança, e quem presta atenção em você é pai, mãe e amiguinhos. Talvez tenha demorado um pouco, até. Tinha amigos que haviam perdido com treze, até doze. Pelo menos era o que eles diziam. Eu posso admitir. Perdi com quinze, e foram os melhores vinte minutos da minha vida.
Durou pouco, mas eu aproveitei. E só eu sei o quanto ensaiei para aquele momento. Em casa eu repetia cada gesto, cada olhar, ensaiando as possíveis - e prováveis, já que era minha primeira vez – falhas ou imprevistos que poderiam ocorrer durante o... processo. Para cada falha, eu já ensaiava uma reação, um improviso. Ensaiar improviso, só eu, mesmo.
E na hora, que nervosismo. Não sabia para que lado olhar e nem o que fazer com as mãos. Tudo o que eu havia ensaiado, esqueci. E não tinha ninguém que podia me dizer o que fazer, afinal, era a hora agá. Ou tudo, ou nada. Se eu falhasse ali, talvez todo o meu desempenho futuro fosse prejudicado. A ciência nos diz que a sensação da primeira vez que fazemos algo, é determinante para que queiramos repeti-la. No meu caso, repetir era tudo o que eu queria na época.
O começo foi a parte mais difícil, porque você não tem muito jeito pra coisa, e não se acerta com a companheira. Ainda mais quando ela é mais experiente que você, como foi o meu caso. Nos primeiros minutos, tive vontade de desistir, mas já tinha começado, já estava esquentando. Fui pegando o ritmo, fazendo a coisa certa, dizendo o que tinha que dizer e improvisando de verdade. O improviso é a melhor parte, porque é a hora do maior prazer. Não dá também para ficar parado. O segredo é se mover. Jogo de olhares. As luzes fazem sua parte.
Por último, o ápice. O vôo solo. Peguei no tranco e acelerei. E o excepcional é que eu via que eu não era o único a estar me divertindo. Acabou, baixei a cabeça, as cortinas fecharam e fui aplaudido em pé.
Assim foi a primeira vez que subi num palco. A peça era curta, e se chamava “A Família Mussolini”. Perdi ali a vergonha natural que todos tem ao falar em público. Ganhei o prêmio de melhor ator no Primeiro Festival de Teatro Amador Gilda Fialho. Tinha quinze anos. Fui um sucesso, modéstia a parte, graças principalmente à professora Marli Sitta e aos companheiros e companheiras de palco. Hoje já não participo mais de teatro, mas assisto quando posso. É a melhor das demonstrações de arte, na minha opinião. Pena que aqui em Marau não se vê muito.
Pena mesmo, pois é quase tão bom quanto... Bem, você sabe.

Um comentário:

Anônimo disse...

A-M-E-I

BJOOO