Coitada daquela brasileira que se auto-agrediu na Suíça. Aquela, que é assunto de todos os meios de comunicação do Brasil e alguns do exterior, que tentou fazer algo para aparecer, e conseguiu aparecer mais do que gostaria. Tem coisas que nem Freud explica.Apesar de ter claros problemas psicológicos, porque ninguém se fatia assim, por esporte, a brasileira teria conseguido se passar por vítimas de grupos neonazistas se não fosse por um motivo. Ela escolheu a Suíça, o país mais sem sal da história dos países sem sal. Não é à toa que a bandeira da Suíça e a da Cruz Vermelha são parecidas. É que, quando em combate, é proibido matar ou ferir um médico, ou um suíço.
Desde antes de nos conhecermos por gente, a suíça já era neutra. Quando Deus disse “Faça-se a luz”, não sei quem foi contra ou a favor, mas com certeza a Suíça se absteve. Nas guerras medievais, franceses e ingleses se engalfinhando por mais de cem anos, a Alemanha espalhada em dezenas de Reinos, a Itália uma colcha de retalhos incandescente, mas a Suíça, não. Lá o trigo crescia em paz, os cavalos pastavam tranqüilos e os suíços perseguiam as suíças sem se preocupar com o alistamento militar.
Primeira Guerra: Galera se matando geral na Europa, e a Suíça quieta igual um fusca. Neutralidade total. Na segunda guerra, os alemães matavam judeus na cara do mundo inteiro. Os EUA explodiam Hiroxima, e a Suíça, paz e amor.
Futebol, não jogam. Nem Formula Um. Aliás, não há circuitos, e pouquíssimos pilotos suíços disputando algum esporte a motor na Europa. Na verdade, qualquer esporte com conotação de luta, nem a pau. Onde há vencedores, há perdedores, e isso a Suíça não pode admitir.
Ou seja, a Suíça não faz mal a ninguém. Não tem reputação ruim. Aliás, nem reputação não tem. A Suíça não fede e nem cheira. E talvez seja por isso que, um paizinho minúsculo, menor do que os menores estados do Brasil, está anos luz a nossa frente em todos os rankings de desenvolvimento.
Se a brasileira tivesse escolhido outro país para se mutilar, teria colado mais. Talvez uma Alemanha, que tem fama de mal-encarada. Ou a Espanha, que teve problemas diplomáticos com o Brasil recentemente. Ou a Inglaterra, cujo nacionalismo dá medo até nos mais graúdos gaudérios. Ou a Itália, que está antipática conosco por causa do Batisti. Mas logo a Suíça?
É claro, até o momento em que escrevia isso, o caso não havia sido encerrado, e ninguém podia dizer com certeza se os culpados são os suíços ou a brasileira. Mas, se for contar a reputação dos dois países, sou mais a amiga de todos, simpática, que não faz mal a ninguém, querida e neutra Suíça.
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