segunda-feira, 30 de março de 2009

De cair os butiás


Butiá é uma frutinha amarela que é usada para aromatizar cachaça. Pelo menos, é daí que eu conheço o Butiá. Tem a cidade, também. Mas aí é outra história.
O tal butiá nasce desde Minas Gerais até a República Riograndense, e é bastante conhecido e apreciado por aqui. Particularmente não gosto de butiá. Mas uso bastante a palavra, que aparece em expressões e ditos populares, em substituição a uma frase que denota o mesmo sentido, mas envolve nádegas e adjacentes.
Lembrei do butiá porque é curioso como, em pleno século vinte e um, a Igreja Católica ainda é capaz de nos derrubar os butiás dos bolsos. É geral a insatisfação com aquele bispo que excomungou os médicos e a família da menina de nove anos, que foi estuprada e engravidou de gêmeos.
O ex-prefeito De Conto, num papo regado a água-tônica, acompanhando os sete a zero do Inter, me explicou os motivos do padre. Ele ressaltou a “intransigente defesa da vida” feita pela Igreja. Segundo os abatinados, as duas vidas que a menina de nove anos carregava no útero não teriam culpa do ocorrido, e por isso não deveriam deixar de existir.
Tudo certo, se não fosse o contexto. O problema da Igreja, na verdade, sempre foi esse. Não analisar o contexto. É impensável deixar uma menina de nove anos – que teoricamente não poderia nem saber o que é sexo – parir gêmeos. Também é inaceitável um padre afirmar que entende o estupro, mas não o aborto, e que uma pessoa que violenta uma criança e a faz conviver com este trauma pelo resto de sua vida, não seja alvo de excomunhão, mas o médico que teve humanidade de salvar a vida desta mesma criança, seja. Nem o mais fervoroso católico conseguiu engolir essa, e não há como escapar de pensamentos pejorativos a respeito da Igreja Católica.
Defender a vida é um ato louvável, mas não à custa de outra vida. E quando digo vida, não falo apenas em respirar, crescer e reproduzir. Falo de ser feliz, ter uma profissão, ter tempo para se divertir e se desenvolver de maneira normal, como qualquer criança deveria se desenvolver, e não com dois filhos para criar. Ou alguém acredita que essa menina teria um futuro promissor, sendo mãe de gêmeos aos nove anos?
Se a nossa Igreja dos envergonha sobremaneira com atitudes como essa, ficam evidentes os motivos da debandada, um verdadeiro êxodo de católicos para outras religiões, ou para nenhuma. Eu sou mais um desanimado com o Catolicismo, ou com alguns daqueles que o pregam.
É claro que nunca vou deixar de ser temente e fiel a Deus. Mas falta pouco para, quando aquelas senhoras vierem pela décima vez me cobrar o dízimo, eu responder:
- Não, obrigado. Sou ateu, graças a Deus.

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