sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dia de coisa nenhuma

Desculpem-me as leitoras que esperam um texto rodeado por botões de rosas, cheirosinho e dizendo o quanto vocês, mulheres, são importantes para nós, pobres e indefesos homens, e blá-blá-blá. Na verdade, tirem o eqüino da chuva. O texto de hoje vai ser grosso, xucro e mal-educado.
Nada contra as mulheres, pelo contrário, quem dera eu ter uma só minha, mas acho o cúmulo do preconceito esse negócio de dia-Internacional-disso e Dia-Mundial-daquilo. Baboseira. O melhor jeito de rebaixar determinada classe ou etnia é homenageá-la com um dia no calendário. Afinal, à quê serve o Dia da Mulher? Decerto que para mostrar o quanto as amamos não é. Serve única e exclusivamente para lembrá-las, pelo menos uma vez por ano, o quanto as mulheres já sofreram nas mãos dos homens. A mesma coisa acontece com o Dia da Consciência Negra, dia do Índio, dia do excepcional e, arrisco-me a escrever, dia do Meio Ambiente. Quer dizer, no trânsito, todos os homens acham as mulheres barbeiras, fazemos vocês levantarem na hora da novela para lavar a louça e trocamos de canal bem na hora do Big Brother mas, pense pela lado positivo: Tem um dia só seu! Orgulhe-se! Assim como aquele brasileiro debaixo da ponte comemorando a abolição da escravidão. Ou o negro, que usa camisetas sugestivas de orgulho racial, mas sujeita-se a preconceitos tremendos, como as quotas universitárias. E ainda pensa que é privilégio. Quer dizer que os negros não podem disputar as mesmas vagas que os brancos? Essa é boa. Dia internacional de qualquer-coisa é só para lembrar as minorias, ou os fracos, de que, um dia, eles foram reprimidos. Por isso sou contra beijar e abraçar as mulheres por um dia especial. Beijemos e abracemos as mulheres por serem, sim, nossos faróis e o nosso porto seguro. Trezentos e sessenta e cinco dias por ano, como eu faço com as mulheres com quem convivo. Não é necessário um dia do Meio Ambiente para sabermos que não podemos viver num mundo cinza. Assim como não é necessário um Dia da Mulher para saber que elas são melhores que nós.
Viva a Consciência Humana! seja negra, branca, azul, vermelha, masculina ou feminina. Mulheres, amo vocês. Viva o brasileiro, o português, o Índio e o Fabiano Eller!
Desculpe o desabafo. Já estou mais calmo agora.

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