A menos que a minha coluna esteja sendo contrabandeada para fora do Brasil, eu e você, tupiniquim leitor, vivemos no mesmo país. Um país de proporções continentais. O Brasil é estrombolicamente grande, apesar de eu não estar cem por cento convencido de que a palavra “estrombolicamente” exista.
Mas, voltando ao assunto principal deste texto – que não são os neologismos – eu dizia que o Brasil é enorme. Um dos meus desejos – para quando eu for grande e rico igual ao pai e à mãe – é poder conhecer todo o país. Claro que a maior parte eu já conheço, pelo caminho mais curto, a internet. Contudo, como dizia o meu avô, eu tenho a mania de ver com as mãos.
Um lugar que me atrai é aquela região de Mato Grosso e Goiás. Uma imensa planície, repleta de nada, onde tocar gado não é apenas uma cacofonia. Lá, tocar gado é rotina.
Coisa interessante, de longe, a boiada se deslocando, ao som do “Buóóóóó” produzido pelo berrante do capataz. Você sabe, astuto leitor, como os vaqueiros atravessam os rios com a boiada? Eles mandam os bois mais velhos e machucados na frente. É que lá, outra coisa que abunda, além de espaço, é piranha, o peixinho. Então, o boi velho serve para as piranhas se saciarem, e não atrapalharem a travessia do restante da boiada. É uma prática comum onde a pecuária representa a maior parte da renda. Os bois velhos são sacrificados pelo bem da maioria.
Agora eu me pergunto: até que ponto é necessário o sacrifício do boi velho? Será que tê-lo por perto, vivo e saudável, não é de grande valia? Quantos rios cheios de piranhas o boi velho já atravessou? Não estaria ele, com todo o seu instinto animal, preparado para guiar a boiada em segurança para o outro lado?
Existem casos em que o sacrifício do boi velho não é necessário, e talvez só atraia ainda mais as piranhas para onde o rio dá passo. O sacrifício do boi velho pode ser totalmente negativo, quando é este mesmo boi, um dos líderes da boiada. Talvez, ao vê-lo agonizando, o resto do grupo se espalhe, e o vaqueiro tenha ainda mais dificuldades fazer a travessia. Sou totalmente contra o sacrifício do boi velho. Ainda mais quando sabemos que a mordida da piranha não é tão forte quanto propagandeiam.
Espero que, a quem realmente interessa, tenha sido clara a minha ácida metáfora. E que levem em consideração a minha pouco ilustre, porém bastante compartilhada opinião.
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