sexta-feira, 1 de maio de 2009

Violência


É engraçado e ao mesmo tempo assustador o quanto somos apegados à tecnologia. Pelo menos, a minha geração. Fiquei, boa parte desta semana, sem tevê a cabo e sem internet, e posso escrever com todas as letras, que se Deus fosse mandar novas pragas ao mundo, a falta destes bens seria uma delas. É claro que estou exagerando. A fome na África, as bombas na Palestina e os furacões na América do Sul devem ser piores. Mas ali, ali.
Mas você já imaginou, imaginativo leitor, que grande buraco na rotina causa a falta de Internet? Não poder conferir e-mail, sabendo que há e-mails importantes para conferir. Ainda mais quando o e-mail é o subsídio do seu trabalho.
E a TV a cabo? Quando se está acostumado a assistir noticiários em determinado horário, desenho animado em outro? E do nada, sem mais e nem menos, todo o seu cronograma de atividades diárias vai fluvialmente abaixo. Mesmo com todas estas dificuldades, tentei manter a calma e ler um livro. Li três, pela falta do quê fazer. Consegui me manter sereno porque não sou viciado em internet e televisão. Nós mantemos um convívio sadio, eu e a tecnologia. Eu a uso moderadamente, e ela corresponde às minhas expectativas sempre que possível.
É que tem gente totalmente viciada em televisão. Principalmente gerações que não conviveram com o carrinho de lomba e o jogo de taco. Hoje em dia, televisão e internet serve para tudo, inclusive para maus exemplos.
O que não é aceitável é imputar a culpa dos problemas da sociedade na televisão. Por exemplo, esses casos de violência nas escolas que explodem todos os dias nos noticiários. Alguns teimam em culpar a novela da Globo por estas ocorrências, mas desde o tempo que eu estudava isto é, digamos, comum. Não me lembro de ter estudado em alguma turma onde não houvesse ao menos um valentão para meter medo e molestar os outros colegas.
Eu não sofri disso, porque sempre fui magrão e meio liso quando criança. E me esquivava bem, apesar de brigar muito mal. Mas lembro de colegas mais fracos ou mais tímidos, que justamente por terem estas características, apanhavam semanalmente, e sofriam tremenda violência psicológica. E olha que eu estudei em escolas de freiras. Lá, elas chamavam mãe e pai para dentro da diretoria. Imagine em escola onde a diretoria e o quadro de professores eram mais displicentes.
Então, ao invés de culpar a Globo, eu acredito que esta rebeldia e violência juvenil é falta de laço. Laço afetivo, no caso. Participação dos pais na vida escolar. Atenção às reclamações dos filhos cuidado à maneira que as crianças se comportam perante outras crianças.
Eu, como a mãe e o pai sempre estiveram atentos, nunca apanhei e nem bati. Só das meninas, às vezes... Mas aí era diferente.

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