Pode parecer elitista de minha parte – principalmente pela fama de revolucionário que erroneamente me acompanha - e no fundo reconheço que é. Mas a televisão aberta brasileira é ruim. Me causa estuação, náusea, me faz chamar o Hugo, de ruim. Tirando uma ou duas exceções que só fazem confirmar a regra, as emissoras conseguem estragar, e de maneira impressionante, até os melhores programas.
Vamos nos ater à Rede Globo carioca e sua mais recente extravagância: não citar de maneira gratuita nomes de empresas privadas em sua programação – a não ser nos programas jornalísticos, principalmente quando eles vem acompanhados de escândalos por se desenrolar. A Globo e suas afiliadas de abrangência regional distorcem a realidade por um capricho bobo. Até 2009, chamavam o Ulbra, time que joga o Gauchão, de “Canoas”. No vôlei e no basquete, por exemplo, modalidades esportivas que clamam por patrocínio num país que não as valoriza da maneira que merecem, acontece a mesma coisa. Com esta atitude, a Globo termina por desmerecer o investimento dos patrocinadores, que não tem o retorno prometido pela publicidade, e acabam se desinteressando pelos investimentos no esporte. Aí sempre vem um narrador espertinho dizendo: “as grandes empresas do Brasil deveriam valorizar mais os nossos talentos e blablablá”. Demagogia da pior qualidade, isso sim. Afinal, o patrocinador que valoriza o esporte não é valorizado pela mídia.
Até no mundo milionário da Fórmula Um a Globo comete esta atrocidade. Chama a Red Bull de “RBR”, a Toro Rosso de “STR” e a Virgin de “Manor”. Em todo o planeta, nos mais de cem países que transmitem esta categoria ao vivo, a Globo é a única emissora a ter tal atitude. Os pilotos nunca se referiram às suas equipes com esses nomes. Mas a explicação da Globo é que ela não deve fazer publicidade a uma empresa que não paga diretamente à emissora pela exposição.
Esta atitude antiética e absolutista, como se os altos executivos da Globo fossem os donos da verdade e pudessem sair por aí mudando os nomes das coisas como bem entendem, acaba pegando mal para a Globo. Escrevo “os executivos”, porque é óbvio que esta não é uma decisão do Galvão, muito menos do Paulo Brito, aqui no RS. São ordens que vem de cima. Mas jornalisticamente falando, chega a ser absurdo. Estão passando uma informação errada à população. Uma informação falsa. E de maneira deliberada, ainda por cima. Ora, se o nome da equipe é Virgin, porque chamá-la de Manor? “A equipe se chamava Manor, então optou-se por manter o nome original”. Oquêi, então chamemos o Brasil de Terra de Santa Cruz, afinal, o nome original do país é este.
Esta atitude – que só acontece no Brasil e em mais nenhum lugar do mundo, volto a frisar – comprova definitivamente que tudo o que importa hoje, na comunicação, é quem paga. E talvez nem isso, e sim o quanto se paga.
Quer saber, nunca mais chamo a Rede Globo de Televisão pelo seu nome. A partir de hoje ela virou RGT. E vai continuar assim até eu receber alguma coisa para falar o nome dela por aí.
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