sexta-feira, 5 de março de 2010

Palavras


É o seguinte, cara: o diacho da palavra escrita é que, não importa onde ela estiver, seja num jornal do interior do estado ou nas paredes de uma caverna nos cafundós do mundo, alguém vai ler. Alguém sempre lê. E se lembra. A menos que ela seja apagada antes de qualquer contato com a civilização, sempre vai ter pelo menos uma pessoa que guardará na memória o significado do que foi escrito.

Por sorte, sei de trinta e duas pessoas que lêem as palavras que eu escrevo semanalmente, aqui. Não é um número ruim, tendo em vista a qualidade do raciocínio e as atrocidades cometidas contra a gramática. Ainda mais se levarmos em consideração que sou filho único, e não tenho irmãos e suas namoradas ou esposas para ajudar a dilatar este número. Ou seja: muitos destes trinta e dois nem são parentes meus.

Alguns destes leitores me fazem feliz quando respondem por emêil e comentam os meus textos. Apesar de nenhum deles ter conseguido mudar minha opinião sobre qualquer coisa – mais por defeito meu do que deles – é sempre uma honra para o escritor, não que eu me considere um, perceber que algo de sua autoria foi tão interessante a ponto de fazer alguém dedicar parte de seu tempo para escrever um emêil contendo sugestões, divagações, apontamentos, correções ou somente um “li tua coluna e adorei”.

Mas existe sempre aquela mensagem que se sobressai e torna sua divulgação obrigatória, ainda que sem a permissão de quem a escreveu. Nesta semana, recebi um correio eletrônico do Douglas Carraro, talentoso artista local, e um dos meus trinta e dois leitores. Transcrevo aqui, resumidamente, seu texto:

“Andy, boa noite.

Já é sabido que sou teu leitor quase assíduo, por tua maravilhosa maneira de usar o português, teu bom humor, tua inteligência, entre outras boas qualidades de escrevente. (...) Se te serves como conselho, de uma pessoa que te admira, o fato de, mesmo sendo colorado, usar de forma tão preconceituosa teu talento contra meu time do Grêmio, um time gigante, e que merece todo respeito, mesmo não vindo de fases muito boas, não é de uma serenidade clara!

No final do ano, ao ler tua coluna ‘Minhas Previsões’, ao qual tentavas, ingenuamente, te comparar a um vidente, fiquei com um misto de raiva e decepção, ao ler tuas "previsões astrológicas" para 2010. (...) O fato de escreveres que o meu Grêmio não seria campeão de nada, me deixou tão indignado, que fiz um recorte da tua coluna, e colei no quadro que fica em meu escritório para todo dia lê-la, e esperar, ansioso, pela vingança... É pecado, eu sei... Mas jogar aquilo em teu texto, sem poder ter essa certeza, deixou meu peito gremista em desalinho. (...) Não é um grande título, mas nem essa missiva tem por objetivo ofender. Denomino-a um desabafo. Tens um grande compromisso com teus leitores (...). Tu és um excelente colunista, mas deixa esse negócio de astrologia para o bem lembrado Raulzito. Considero este meu direito de resposta!

Um grande abraço, do leitor e amigo Douglas Ernesto Carraro”.

Diga-se de passagem, não um direito de resposta, mas uma resposta de direito. Não concordo, já que a Taça Fernando Carvalho é somente meio título. Mesmo assim, fica registrado. Só publiquei para mostrar que, para um gremista se lembrar de uma corneta impessoal publicada há mais de dois meses, é porque eu atingi em cheio o seu pobre coração de mosqueteiro.

Touchê, monsieur Carrarô.

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