sexta-feira, 4 de junho de 2010

Esperança


Eu realmente não acho que dinheiro traga felicidade. Uma pessoa com duzentos milhões de dólares não é mais feliz do que uma pessoa com cento e cinquenta milhões, por exemplo. Isso quer dizer: cinquenta milhões é igual a nada. Mas preciso considerar o fato de que eu não consigo nem imaginar cinqüenta milhões de dólares. Foge da minha capacidade de compreensão.

Digo isso porque nunca antes na história deste país eu passei por uma pindaíba tão grande. Minha supracitada quebradeira vem desde o mês passado, mas se acentuou inapelavelmente nos primeiros dias deste mês. A culpa, claro, é toda minha. Fui eu – ó Deus – que preferi farrear com os amigos ao invés de ficar em casa jogando vídeo game. Eu – ó vida – que decidi instintivamente comprar aquele presente caro para a Simone. Eu – maldição – que deixei de depositar os sagrados dez por cento para o futuro, e provavelmente os gastei em chocolate, coca-cola, amendoim-torrado e outras guloseimas, fazendo um péssimo serviço não só para o meu bolso, como para minha saúde.

O desespero poderia ser maior, sem dúvida, se eu tivesse uma família para sustentar, por exemplo. Se eu pagasse prestações da casa própria. Ou se eu simplesmente precisasse pagar pela água que bebo e luz que consumo. Graças a Deus e à Dona Eliane, não. Mesmo assim, a situação é precária. Estou inconsolável. Ontem, sexta-feira, percebi que até meu sapato favorito abriu uma boca enorme e agora estrangula meu mindinho, que teima em sair pelo buraco. Estou caricaturalmente duro.

Feita a choradeira necessária, vamos às explicações. Perdi trinta reais. Perdi, assim. Estava lá, e depois não estava mais. Não perdi na bolsa de valores, nem no pôquer, nem nos cavalinhos giratórios. Perdi por perder. Caiu do bolso, me roubaram, sei lá. Ouvi dizer que o Bill Gates perdeu mais de vinte bilhões de dólares com a crise internacional, ano passado. Mas, diabos, ainda havia sobrado mais de trinta bilhões. Para mim, não. O mês já estava complicado – e ainda no início – quando eu tinha estes trinta reais. Agora, então, trinta reais mais pobre, será muito pior.

Não quero esmolas. Não mande dinheiro para o endereço Avenida Barão do Rio Branco, 575, apto 401. Só quero o que é meu por direito. Se você, atento leitor, encontrou um macinho de dinheiro preso por um clipe, uma nota de vinte e duas de cinco, por favor, faça um ato de caridade e garanta um lugarzinho no céu.

Duas notas de cinco e uma de vinte. Mas pode ser até três de dez, não ligo. Dou gorjeta. Das boas. E pago uma cerveja.

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