terça-feira, 23 de abril de 2013

Decadência...




Acho que era junho... De 72. Não era Thedy Correa cantando.

Era a imprensa americana noticiando o mais famoso caso de corrupção da história: Watergate.

Começou como um assalto à sede nacional do Partido Democrata, durante a campanha presidencial que deu a Ricard Nixon um segundo mandato. Cinco pessoas foram presas enquanto fotografavam documentos e instalavam escutas eletrônicas por toda a sede do partido.

Desde a prisão, dois repórteres do jornal Washington Post iniciaram uma investigação sobre o caso. Recebendo informações sigilosas de uma fonte de dentro do Pentágono, apelidada por eles de Garganta Profunda, estabeleceram ligações entre o crime no Edifício Watergate e a Casa Branca. Instaurou-se uma crise política irreversível.

A herança de Garganta Profunda é muito maior do que apenas um bom trocadilho para nomes de filmes pornô. O caso praticamente moldou a imagem do repórter investigativo. O filme lançado depois, “Todos os homens do Presidente”, contribuiu para a visão romantizada que temos da imprensa americana.

Nixon renunciou. Bob Woodward e Carl Bernstein, os dois repórteres, ficaram famosíssimos. Escreveram livros. São até hoje exemplos de jornalistas investigativos citados em faculdades do mundo inteiro.

Mas tudo é finito. A imprensa americana, antes acostumada a derrubar presidentes, hoje aceita bovinamente as versões oficiais. CNN e Fox, que cobriram a frenética perseguição aos suspeitos do atentado em Boston, juntas, não responderam 10% das perguntas que se pode fazer sobre o caso. Tudo o que ocorreu nestes últimos oito dias está muito mal explicado, e a imprensa, que tem como dever esclarecer os fatos, optou pela cobertura ufanista e sensacionalista, à lá Datena.

Algo cheira a podre neste caso de Boston. Certamente a maioria dirá que é tudo teoria de conspiração. Mas se a imprensa fizesse sua parte, não restaria espaço para teorias. Se elas são abundantes, é porque falta esclarecimento.

Sugiro que leiam isso:


Neste artigo MAESTRALMENTE escrito por um dos meus grandes colegas de profissão, Flávio Gomes, constam dezenas de perguntas que a imprensa americana deveria ter feito sobre o caso. Poderiam ter escolhido apenas quatro ou cinco. Mas não responderam nenhuma.

Temos, sim, muito a reclamar de nossa imprensa nacional que não apura fatos e prefere condenar ou absolver ao sabor de suas convicções. Mas, se olharmos para fora, principalmente para este país que muitos têm como suprassumo de tudo, veremos que este é um mal mundial.

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