Acho que era junho... De 72. Não era
Thedy Correa cantando.
Era a imprensa americana noticiando
o mais famoso caso de corrupção da história: Watergate.
Começou como um assalto à sede
nacional do Partido Democrata, durante a campanha presidencial que deu a Ricard
Nixon um segundo mandato. Cinco pessoas foram presas enquanto fotografavam
documentos e instalavam escutas eletrônicas por toda a sede do partido.
Desde a prisão, dois repórteres do
jornal Washington Post iniciaram uma investigação sobre o caso. Recebendo informações
sigilosas de uma fonte de dentro do Pentágono, apelidada por eles de Garganta
Profunda, estabeleceram ligações entre o crime no Edifício Watergate e a Casa Branca.
Instaurou-se uma crise política irreversível.
A herança de Garganta Profunda é
muito maior do que apenas um bom trocadilho para nomes de filmes pornô. O caso
praticamente moldou a imagem do repórter investigativo. O filme lançado depois,
“Todos os homens do Presidente”, contribuiu para a visão romantizada que temos
da imprensa americana.
Nixon renunciou. Bob Woodward e
Carl Bernstein, os dois repórteres, ficaram famosíssimos. Escreveram livros.
São até hoje exemplos de jornalistas investigativos citados em faculdades do
mundo inteiro.
Mas tudo é finito. A imprensa
americana, antes acostumada a derrubar presidentes, hoje aceita bovinamente as versões
oficiais. CNN e Fox, que cobriram a frenética perseguição aos suspeitos do
atentado em Boston, juntas, não responderam 10% das perguntas que se pode fazer
sobre o caso. Tudo o que ocorreu nestes últimos oito dias está muito mal explicado,
e a imprensa, que tem como dever esclarecer os fatos, optou pela cobertura
ufanista e sensacionalista, à lá Datena.
Algo cheira a podre neste caso de
Boston. Certamente a maioria dirá que é tudo teoria de conspiração. Mas se a
imprensa fizesse sua parte, não restaria espaço para teorias. Se elas são
abundantes, é porque falta esclarecimento.
Sugiro que leiam isso:
Neste artigo MAESTRALMENTE escrito
por um dos meus grandes colegas de profissão, Flávio Gomes, constam dezenas de perguntas que
a imprensa americana deveria ter feito sobre o caso. Poderiam ter escolhido apenas
quatro ou cinco. Mas não responderam nenhuma.
Temos, sim, muito a reclamar de
nossa imprensa nacional que não apura fatos e prefere condenar ou absolver ao
sabor de suas convicções. Mas, se olharmos para fora, principalmente para este
país que muitos têm como suprassumo de tudo, veremos que este é um mal mundial.

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