sexta-feira, 3 de maio de 2013

A nossa Grécia




“Coitado”, como explicam os alfarrábios, é aquele que foi vítima de coito. Logo, quando chamamos alguém de coitados, estamos querendo dizer aquela palavrinha que, por possuir eu alguns leitores juvenis, não direi. É feia e de baixo calão. Mas, no fundo, significa a mesma coisa que “coitado”. Aquele que foi vítima de coito. Que por sua vez, é a cópula, o ato sexual consumado.



Assim está a Grécia. O berço da civilização ocidental. Ou foi Roma? Me escapa, agora. Mas é inegável a importância do legado grego para a cultura, a arte, a filosofia, a astronomia, a matemática e as novelas da Glória Perez. Porém, hoje em dia, a Grécia só faz assustar a economia mundial. A dívida grega hoje está em mais ou menos 150% de seu Produto Interno Bruto. Para não falir a economia europeia, a terra de Sócrates e Platão tem recebido aportes financeiros substanciais. Ou isso, ou bye-bye zona do euro. Não convém explanar os motivos que levaram a Grécia a esta bancarrota em que se encontra. Até porque eu não saberia citá-los. Mas a situação é calamitosa. O governo grego inclusive realiza constantemente leilões de ilhas – adquiridas por magnatas russos e xeques do oriente médio, cujos orçamentos por vezes superam o PIB de um pequeno país – na esperança de arrecadar dinheiro e restaurar, nem que seja minimamente, a imagem do país. Hoje a Grécia não passa de uma caloteira.

Está aí um ponto a se pensar: os gregos são um povo que tem todas as razões para se considerar diferenciado, já que é herdeiro da cultura helênica e toda aquela coisa de templos, anfiteatros e estátuas de nu-frontal. Mas isso não foi suficiente para fazer da sua comunidade uma força. Um paralelo interessantíssimo pode ser traçado até o coração deste estado em que vivemos. O Rio Grande do Sul é a Grécia do Brasil.

Batemos em nosso peito viril, másculo e cabeludo para defender que somos de uma linhagem superior ao brasileiro médio. Inflamos nossos pulmões “coperos y peleadores” para bradar que aqui, não, João. Aqui é diferente. E deveríamos nos separar. Afinal, o Brasil nos envergonha com sua música, suas danças desrespeitosas, sua televisão de péssima qualidade, sua educação barata.

Nossa cultura ímpar contrasta com o estado das nossas estradas, a corrupção das nossas instituições, as condições críticas que o nosso empresariado enfrenta, a falta de infraestrutura, o desrespeito aos profissionais de educação e saúde. O país que muitos desdenham, dizendo-se mais gaúchos do que brasileiros, nos sustenta há muito tempo. Assim como a União Europeia sustenta a Grécia.

Somos uns coitados, isso sim.

Nenhum comentário: