“Coitado”, como explicam os
alfarrábios, é aquele que foi vítima de coito. Logo, quando chamamos alguém de
coitados, estamos querendo dizer aquela palavrinha que, por possuir eu alguns
leitores juvenis, não direi. É feia e de baixo calão. Mas, no fundo, significa
a mesma coisa que “coitado”. Aquele que foi vítima de coito. Que por sua vez, é
a cópula, o ato sexual consumado.
Assim está a Grécia. O berço da
civilização ocidental. Ou foi Roma? Me escapa, agora. Mas é inegável a
importância do legado grego para a cultura, a arte, a filosofia, a astronomia,
a matemática e as novelas da Glória Perez. Porém, hoje em dia, a Grécia só faz
assustar a economia mundial. A dívida grega hoje está em mais ou menos 150% de
seu Produto Interno Bruto. Para não falir a economia europeia, a terra de
Sócrates e Platão tem recebido aportes financeiros substanciais. Ou isso, ou
bye-bye zona do euro. Não convém explanar os motivos que levaram a Grécia a
esta bancarrota em que se encontra. Até porque eu não saberia citá-los. Mas a
situação é calamitosa. O governo grego inclusive realiza constantemente leilões
de ilhas – adquiridas por magnatas russos e xeques do oriente médio, cujos
orçamentos por vezes superam o PIB de um pequeno país – na esperança de
arrecadar dinheiro e restaurar, nem que seja minimamente, a imagem do país.
Hoje a Grécia não passa de uma caloteira.
Está aí um ponto a se pensar: os
gregos são um povo que tem todas as razões para se considerar diferenciado, já
que é herdeiro da cultura helênica e toda aquela coisa de templos, anfiteatros
e estátuas de nu-frontal. Mas isso não foi suficiente para fazer da sua
comunidade uma força. Um paralelo interessantíssimo pode ser traçado até o
coração deste estado em que vivemos. O Rio Grande do Sul é a Grécia do Brasil.
Batemos em nosso peito viril, másculo
e cabeludo para defender que somos de uma linhagem superior ao brasileiro
médio. Inflamos nossos pulmões “coperos y peleadores” para bradar que aqui,
não, João. Aqui é diferente. E deveríamos nos separar. Afinal, o Brasil nos
envergonha com sua música, suas danças desrespeitosas, sua televisão de péssima
qualidade, sua educação barata.
Nossa cultura ímpar contrasta com o
estado das nossas estradas, a corrupção das nossas instituições, as condições
críticas que o nosso empresariado enfrenta, a falta de infraestrutura, o
desrespeito aos profissionais de educação e saúde. O país que muitos desdenham,
dizendo-se mais gaúchos do que brasileiros, nos sustenta há muito tempo. Assim
como a União Europeia sustenta a Grécia.
Somos uns coitados, isso sim.

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