A primeira definição da palavra “macumba” é exatamente a que nos brinda o amigo Aurelião: instrumento antigo de percussão, de origem africana, que imprime um som rascante. Claro que eu nunca ouvi o som de uma macumba. E, muito obrigado, prefiro não conhecer.Para você, leitor leigo em instrumentos musicais, “macumba” deve ter o mesmo significado que tem para mim. Eu estou sempre repetindo a conhecidíssima frase:
- Chuta, que é macumba!
A macumba, no populacho, é um ritual das religiões africanas, que veio junto com os negros escravizados, quando todo o Brasil era colônia. As religiões africanas, como o Candomblé e a Umbanda, têm ritos de ebó, feitiço, despacho, coisa-feita, mironga, mandinga e afins. Todos eles foram resumidos pelos tupiniquins de memória-curta, e chamados carinhosamente de... Macumba.
Enfim, depois desta genérica e respeitosa introdução, vamos ao tema principal desta crônica.
Era terça-feira, 17. A noite já calava os cachorros ao redor da rodovia, e eu voltava todo pimpão da minha aula de Direito Civil. Com um Rock Pauleira à todo volume nas orelhas, nem prestava atenção no trajeto que o Seu Luiz Ghelen, na boléia do lendário Verdão (aquele ônibus já conquistou o direito à letra maiúscula) percorria. Foi quando, na encrusilhada do Paço do Chinelo, algo brilhante me chamou atenção. Seria mais um dos incontáveis capotamentos, colisões, atropelamentos e/ou abalroamentos, policialmente falando, comuns na 324? Não, ó leitor, era uma macumba. Um despacho com bastante cachaça e galinha preta. Fiz, na hora, o que todo bom católico – e me julgo um bom católico – faria no meu lugar. Dei risada. Porque o que não é da minha religião, não tem valor. Pensei cá com os meus botões: Como pode alguém acreditar na força destes rituais? Existe gente tola o bastante para acreditar que isto dá resultado? Depois, em casa, como em todas as noites, rezei e pedi graças para O Homem Cuja mãe é virgem. Não dei risada, obviamente.
Mas, não percamos o fio da meada. Na quinta-feira, fui à Porto Alegre, representando a ASSUMA, junto com prefeito, vice-prefeito, vereadores e mais um monte de gente importante – e a impensa, participar de um apelo pela duplicação da RS 324. Entregamos abaixo-assinado, apresentamos fotos de acidentes, estatísticas pra lá de convincentes a respeito do perigo que corremos cada vez que utilizamos a 324. Voltamos de lá com mais um punhado de promessas e de idéias. Agora vamos encaminhar uma emenda popular ao orçamento de 2009, para que o estado reserve verba a ser utilizada na duplicação.
Depois de quinta-feira, se nada mais der resultado, estou bastante tentado a apelar à macumba. Que os orixás nos protejam, mizifio...
Um comentário:
Como assim, com um monte de gente importante mais a imprensa? Que decepção, pra ti a imprensa é desimportante...
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